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Domingo, Outubro 31, 2004
OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO (Carlos Drummont de Andrade)
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação. Comments: Sábado, Outubro 30, 2004
Hoje está fazendo nove meses que estou namorando. Nem encontrei Gabriella, mas ta valendo, ela foi pra Vitória e eu falei diversas vezes com ela por telefone.
No início esse namoro estava muito tranqüilo, mas com o tempo surgiram um ou dois problemas que já foram resolvidos e superados. Estou muito feliz, espero que Gabriella também esteja...É isso. Gabriella te amo & estou com saudades! Obs:O blogger está indicando que este post é do dia 30, Entretanto estou postando agora dia 29 às 23:16. Comments: Quinta-feira, Outubro 28, 2004
Gabriella te amo...
Samba em prelúdio (Vinicius de Moraes / Baden Powell) Eu sem você Não tenho porquê Porque sem você Não sei nem chorar Sou chama sem luz Jardim sem luar Luar sem amor Amor sem se dar Eu sem você Sou só desamor Um barco sem mar Um campo sem flor Tristeza que vai Tristeza que vem Sem você, meu amor, eu não sou ninguém Ah, que saudade Que vontade de ver renascer nossa vida Volta, querida Os meus braços precisam dos teus Teus abraços precisam dos meus Estou tão sozinho Tenho os olhos cansados de olhar para o além Vem ver a vida Sem você, meu amor, eu não sou ninguém Quero (Carlos Drummonde de Andrade) Quero que todos os dias do ano Todos os dias da vida De meia em meia hora De 5 em 5 minutos Me digas: Eu te amo. Ouvindo-te dizer: Eu te amo, Creio, no momento, que sou amado. No momento anterior E no seguinte, Como sabê-lo? Quero que me repitas até a exaustão Que me amas que me amas que me amas. Do contrário evapora-se a amação Pois ao dizer: Eu te amo, Desmentes Apagas Teu amor por mim. Exijo de ti o perene comunicado. Não exijo senão isto, Isto sempre, isto cada vez mais. Quero ser amado por e em tua palavra Nem sei de outra maneira a não ser esta De reconhecer o Dom amoroso, A perfeita maneira de saber-se amado: Amor na raiz da palavra E na emissão, Amor Saltando da língua nacional, Amor Feito som Vibração espacial. No momento em que não me dizes: Eu te amo, Inexoravelmentesei Que dexaste de amar-me, Que nunca me amaste antes. Se não disseres urgente repetido Eu te amoamoamoamoamoamo, Verdade fulminante que acabas de dentranhar, Eu me precipito no caos, Essa coleção de objetos de não-amor. Comments: Sábado, Outubro 23, 2004
Só pra não falarem que eu não posto, to postando mais um soneto de Vinicius. Alguém já teve um amor assim?
Soneto do maior amor (Vinicius de Moraes) Maior amor nem mais estranho existe Que o meu, que não sossega a coisa amada E quando a sente alegre, fica triste E se a vê descontente, dá risada. E que só fica em paz se lhe resiste O amado coração, e que se agrada Mais da eterna aventura em que persiste Que de uma vida mal-aventurada. Louco amor meu, que quando toca, fere E quando fere vibra, mas prefere Ferir a fenecer - e vive a esmo Fiel à sua lei de cada instante Desassombrado, doido, delirante Numa paixão de tudo e de si mesmo. Comments: Sábado, Outubro 16, 2004
Opa! E ai tudo beleza?
Primeiro. Bié eu não chego aos pés de Vinicius e nem me esforço para tal. Vinicius é mestre e comparado a ele, não sou nem aprendiz. Segundo. Eu sempre leio a "Folha Ilustrada" e também vejo se tem alguma coisa interessante nos outros cadernos, então eu sempre leio jornal Erika. Terceiro. Gabriella te amo e você sabe que fico bonito de qualquer jeito, não só lendo jornal. Soneto de fidelidade(Vinicius de Moraes) De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa lhe dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure Soneto de separação(Vinicius de Moraes) De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente. Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente Comments: Sexta-feira, Outubro 08, 2004
Soneto da Erika
Chego em casa e não te vejo Não tem ninguém vendo televisão Olho para a sala e sinto certa aflição No seu quarto, nossas fotos revejo Formas de faze-la voltar planejo Mesmo com seu jeito brigão Aqui a aceito com compaixão Encontra-la em casa é o que desejo Claro que com você esbravejo Com motivo ou sem razão Saiba que por você, só admiração Afinal, com quem mais interajo? Quem vai pedir pra eu comprar pão? E assim, por fim lacrimejo Por Jarbas Reis Saraiva. Comments: |